sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Estou concorrendo com o poema Vi Vida ao II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo

Acesse:


http://www.correspondenciapoetica.com.br/festival/ii-festival-de-poesia/321-vi-vida.html



Veja o vídeo, curta e comente.


Conto com seu apoio



domingo, 9 de agosto de 2015

Tempos constantes



 Pensar
Que o mundo pode ser melhor
Deparando-se com batalhas tão ínfimas
Tão íntimas?

Melhor seria então ter escudos
Visão superficial
Por que me fizestes profundidades aqui
Se não quisestes que mergulhasse?

O mar está ali
Caminhe sobre ele
Se quer desbravá-lo

Não pense
Vai!

Eu fui, Eu Sou, Eu Mar...

terça-feira, 14 de julho de 2015

Sobre o perdão


A simpática imagem roubou-me a atenção dia desses...
Poderia ser reencontro de parentes distantes, irmãos que não se viam há muito,
Ou qualquer previsível gesto de amor...
Mas o que surpreende aqui é a 'discrepante' ou 'incoerente' razão para tal imagem...
O pacato senhor, viúvo de 94 anos, pai de dois, com aspecto de vovô bonzinho traz em seu passado uma marca... Um rótulo que dentro de si ecoa mais que qualquer voz exterior...
Fora um soldado nazista, o temeroso “contador de Auschwitz”, que recebia além de contagem das vítimas do holocausto, seus pertences, suas histórias e por tantas vezes usurpou-se disso...
Tem por sua conivência em crimes, um marco de aproximadamente 300 mil mortes, mesmo sem ter tocado, ferido ou acionado nada, participava moralmente
Isso também me levou à reflexões profundas: sem tocar, mas na conivência, podemos ser coautores de mortes, inclusive da alma de muitos...
Quando não amamos
Quando não perdoamos
Quando julgamos
Quando acionamos as câmaras do gás da indiferença
Disparamos armas mortais na impaciência
Quando ao invés de termos maduras soluções para questões de afinidades, nos auto-afirmamos
não crescemos, mas alimentamos mágoas
Mas, em que esse abraço comove, ou move questões?
Ela, judia, vítima do holocausto.
Sobrevivente de experimentos que como cobaia sofria
Ela, que poderia acionar uma injeção letal, ou quaisquer métodos de vingança. Seria talvez aplaudida pelo senso de 'justiça' que rege a 'coerência' desse mundo
Ela que tudo perdeu naquela que foi uma das maiores demonstrações do que a desumanização do homem pelo poder pode gerar
Mas ela o olhou nos olhos, profundamente
Repetiu ao seu modo uma frase que o rasgou profundamente
EU O PERDÔO!
Ele sem reação beijo-a, sorriu, meio que desacreditando em tão ato...
O algoz se tornou vítima do amor...
Em tempos de intolerância, onde amar se torna figura deformada
Onde em busca da defesa de igualdade, cada qual se torna mais desigual, colocando Deus num contexto disforme
Em tempos de projetos tão pessoais, onde o ódio mina na primeira correção, onde o primeiro gesto revela que não há madura conversão, eis a frase daquela mulher:
O PERDÃO É A MAIOR VINGANÇA!
Fico eu em minha miséria, por vezes recolhendo cacos das decepções com pessoas
Por vezes, culpando-me por não saber amar na medida do Tesouro que me é confiado
Mas a vida vem com suas lições e nos devolve a espátula e a pedra bruta que é o recomeço
Pedra de esculpir, não pedra de atirar
Vamos lá recomeçar?


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Para não pisar no jardim

Foto de Michele Lobo.
Chega de mansinho
Vem de mãos vazias
Não imponha suas malas
Chegou, tente apreender
O que a dor do outro ali semeou
Não arranque pela raíz
O que só merece poda
Não pode o que é daninho
Esse merece ser desenraizado
Partilhe e compartilhe
Muitas cruzes ali existem
Mas só precisam de ressurreição
O outro é terra sagrada
O que trazes completa, não furta
Porque os sonhos que ali já haviam são caros
Ajude, some, não faça sumir
Acrescente, não imponha
Pois é pela humildade
Que o coração de Deus se abaixa
E pela humildade da serva
Deus se fez coração

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ser semente, ter raiz



Por vezes, me dói acreditar que sincero não é olhar a vida por telas
Mas o vento novo não conhece os processos do jardim
Não reconhece nos galhos desformes o vento que ali já passou
Não sabe que as raízes expostas são adaptação à aridez do solo que as fez buscar o superficial impenetrável, dos orvalhos menos densos
Mas àquela árvore não nasceu para superficialidades
E não quer ser solitária em sua busca
Busca por vezes a via
Enquanto as àrvores secam sem buscar
Ao redor
De si mesmas
A observam
Mas páram em seus movimentos
Seus sulcos são processos dolorosos, não falta de esforço
Mas o vento novo chega e quer levar diferentes sementes num mesmo soprar
Aí a semente que mais pesa porta mais de si, não voa, não rompe, não brota
Porque não morre em terra
Porque morre em si
Não para os outros
Não está disposta a ser nem mesmo semente
Se mente
Se basta
Se fecha
O que a difere das sementes que se rompem?
O reconhecer do vento que a leva
A força que livremente a faz desejar ser semente
Com toda consciência que isso envolve
Com toda responsabilidade que isso porta
A semente sabe que morre
Se lança
Se ama
Ama
Saudade de ser semente
Saudade do vento que conhece minhas sementes
Sem mentir

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Letra à vela

É que por vezes não evidencio à escrita
O que está descrito em meu interior,
Mas como esquecer-me das letras
Se todas as manhãs elas me tomam nos traços do reflexo
Lembrando-me quem sou e a quem devo refletir?
As coisas sufocam as letras, às tornam secundárias
Quando adentramos o campo das obrigações, o despretensioso
torna-se longínquo
Quando tudo é cansaço, o leve torna-se penoso.

Saudade da letra despretensiosa
De se amar a espontaneidade das coisas
Não uma vontade desalmada, que se recosta sobre momentos
Mas crer se na providência dos instantes
Por vezes, nossa humanidade, ferida de ativismos não quer dar tempo às letras
Mas vão dentro de nós se entroncando, formando montes de saudade
Represando as criatividades, no vício de acúmulos que também nos tomam

Mas vivas são as letras ‘almadas’
Dádivas tão leves, que libertam das imposições
Como o amor que livre vão, eleva e leva
Assim são as letras, que singram, navegam
Se horizontam para onde o Vento as liberta mais e mais...

Saudade de navegar além das margens...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Antes da ponte


Quantas vezes quero descer da cruz, mas lembro-me da coragem nela inaugurada...

Aprendi que não é estado, circunstância ou estação,

É consciência, é reconhecer o que vejo refletir no espelho da vida, mesmo quando embaçado ou pleno de deformidades, possa parecer

Traço a meta, mas lembro-me que não sou a protagonista de uma história que por mim foi ofertada

Descobri o Monte Santo, onde me é necessária a constante saída, subida ou descida, para adentrar no mais nítido de mim.  À medida que não vivo para mim...

Tão místico que chega a ser palpável tão concreto que tira o olhar desencarnado no que se confunde a racionalidade, mas é banhado de um novo prisma, somente esse dom maduro que desfaz fantasias.

Essa palavra eternidade me estremece, mas hoje não é por clichê, ou temor,

mas porque em si carrega toda a mística de uma existência,  de ofertas escondidas, de gritos a partir das transformações mais profundas, carne crucificada, oferta de dons lícitos, escolhas que nunca se embasaram no inconstante.
Nunca e sempre numa mesma e extrema vivência...

Asco das superficialidades, que fez de mim uma alma sonhadora para o além daqui

Letras para o além daqui. Tudo o que for construído a partir de mim, não é meu, tudo é teu,meus frutos serão teus, os meus não serão meus, o que compartilho ou compartilharei será também fruto da Tua Eternidade que hoje quer em mim se configurar a partir de um sim, como tudo o que é eterno...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sobre eleições: Menos partidos, mais inteiros...

Temo os extremos, que mudam o foco pela simples inclinação à discordância. Vejo amizades ruírem, dedo impostado, gritos e grande opressão. Como falar de democracia na imposição? Como ser agressivo e ainda assim querer PAZ?
Se há antídoto aos venenos? Melhor seria não consumi-los, nessa ação onde não se erra sozinho, só por si, onde o coletivo está em risco. Não há eu quando o todo reflete, meu ato é seu ato...
Me dói àqueles que pregam igualdade, sem serem realmente preocupados com o todo, só com suas ideologias às quais não sustentam em verdade, pois NÃO são verdadeiras, não pensam no igual, mas são tão ditadoras quanto às ditaduras que condenam...
Nem Deus as pode tocar, tamanha presunção. Verdadeira é pobreza que cultivam.  Quando cremos na alma, olhos céticos nos punem. Mas estão confortáveis em sua redoma, não sujam seus pés ao se aproximarem da humanidade que verdadeiramente sofre. Seus filhos estão em “segurança”...
Não vejo uma margem segura, olhando dos dois lados, mas vejo uma que desmorona do lado de cá. Creio no Céu, mas estou na Terra regando o incêndio como o beija-flor, que aparentemente não contribui, não faz diferença, mas faz sua parte.
Amem mais os outros. No final todos estaremos no mesmo barco, rumo ao Outro.