domingo, 2 de abril de 2017

Ainda sobre idolatria


Palavra tão constante para designar quem venera o que é externo
Mas tão pouco inserida no contexto da autoanálise
O idolatrar-se,
à quem venera as próprias ideias e convicções
Ao que busca a auto satisfação idônea
Ao que rejeita o outro, por buscar somente seu espaço

Idolatria é consumir desmesuradamente
É ter uma vida guiada e descontornada por vontades e impulsos
Idolatria é vicio, do evidente ao mais sutil
É a soberba de quem se acha maior que Quem lhe criou
É a arrogância de quem não respeita os espaços de fé alheios
O idólatra não sabe dobrar os joelhos à fé, mas o faz à moda ao fútil, ao transitório, à si
Julga quem sacrifica-se, mas não dá passo que não seja em benefício próprio
Não sabe o que permeia as devoções, pois não lê digitais calejadas
Desconhece que mãos amparam os joelhos
Menospreza o que é intercessão, pois não preza pela dor do outro
Somente aponta com suas mãos lisas, dedo constantemente em riste
A maior idolatria está no ostentar, ou nas ambições estéreis
Nas vaidades, no não conformar-se com o tempo que chegou
No esquecimento da alma, no absolutizar-se na aparência
Idolatria é deixar-se alienar
Subir nos palanques da soberba e
Achar-se o mais imune possível
Idolatria é não deixar-se formar 
Sim pode ser no venerar imagens,
principalmente a auto-imagem distorcida pela ausência de auto-desconhecimento e desconhecimento  do Outro
Idolatrar é adorar montes construídos na ausência de amor.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Sóis da manhã




Tão frustrada poderia ser
A alma que perde o sentido da busca
As justificativas, razões, explicações
O não audível, o intocável
Quando nos cercamos de murmurações

Mas quando os sóis nos visitam
Na manhã fria
Lembramos porque deixamos
Seguranças, possibilidades
Conforto de outra via

Quando paramos além da pressa
Percebemos que estavam ali
Àqueles corações 
Cheios de vida
Possibilidades
Além das rotulações

Se derramam na atenção
De quem por ter acessível informação
São quistos como preenchidos
Tão sozinhos, tão vazios
São aqueles sóis 
Meninos

Expostos a um mundo sem sentido
Sem autoridade amorosa
Abraço
Caminho
Querem o Amor e nem sabem
Andam por trilhos 
Por um fio

Sóis da manhã
Que no meu cansaço
Limites
Aquecem o meu frágil
Devolvem o peso leve da cruz
Me fazem sair do instável
Desetruturam o estável

É que coração consagrado
Não nasceu para ser conformado
É tais sóis em si
Não podem permanecer
Apagados
Precisam do óleo que porto
Mesmo escondido 
Na lamparina da inconstância
É óleo sagrado

Sóis e óleo
Amor que só explode
Quando inflamado...

sábado, 2 de abril de 2016

Coração nas ruas

Onde descansa, àquele que vaga?
Onde se inquieta, se esconde, se cala?
Se ainda sentenciado
Está o que não foi em pleno amado?

Quem lhe perscruta as entranhas?
Seus gritos d’alma?
Dubiedades?
Quem conhece-lhe
Até as infâmias?
... E ainda assim lhe é capaz
De amar sem mais
Sem trocas, sem atrás
Que faz o atrás ser jaz?
Quem ama assim
E mais
Mais?

A face ferida no espelho
O cômodo que vem e
Sorrateiro
Deforma-lhe o sorriso

Faz o bem parecer condenador
Enquanto a face do amor
Lhe parece um caminho
Sofredor
Perdedor

Sim, Ele se fez perdedor

Para tornar a mesma face
Reflexo de amor

Amor que não busca andor
Amor indigente
Pé ferido
Mendigo amor

Que de jardim é flor
De sol, ardor
Da rua, passo, caminho e dor
Que se estende no chão
Sem flor
Esperando
Sempre Amor.


quinta-feira, 24 de março de 2016

O que só Deus vê


Quando o cansaço já se torna parte do discurso
E não há disposição interior, puramente na carne, na humanidade
Mesmo assim a alma alavanca o peito desgastado e o inclina a amar
Sem retorno, sem esperar
Se rasga e vai!
Quando olhares externos julgam por achismos, rótulos e autocrítica
e há uma relevância pela história do outro
mesmo que isso nos sangre e nosso orgulho se infle
Quando não se conhece as entrelinhas, mas preferem pontuar os excessos imaginados
Quando o rótulo se faz mais necessário do que o desejo de ser inteiro, intenso, interior
e a vontade de requerer direitos, camuflada de "censo de justiça" transborda
mas é barrada por uma força violenta, chamada primazia
Quando nas madrugadas se consomem lágrimas, letras, pensamentos silenciosos
Quando não há espaço para cuidado mútuo, mas se cobra uma atenção desmedida
Quando esperam nobreza do barro e se frustram quando ele reage fragilmente
ele por vezes aos pedaços. às lascas, sente-se só no recompor-se

Não falhe!
Não esperava tal reação de você...
Você se acha perfeito...

Vozes e olhares que não sabem transcender

Aí está O olhar constante
Que jamais se absteve
Que prima por ver além
e, sente nossos sentires

Porque há um esforço, quando queremos crescer
Porque por não se ser perfeito, busca-se algo Perfeito
Porque antes das luzes e aplausos há escuro e grandes provas
Antes das vaias também
Porque saber a quem se serve não é o fim, mas todo o percurso
Porque as feridas existem e doem
Mas podem não definir o que desejamos oferecer
Não parar nelas
é reconhecer a Quem nos vê.

O amor dói nas entranhas
Isso talvez nunca se veja.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Memória vulnerável

Saudade,

do que aqui sempre esteve
Desejo, 
de tocar o que é consistente
Anseio, 
de mirar o horizonte próximo, onde barco chega
Ancorar,
onde há segurança
e dentro de mim, algo maior existe, sub-existe, 
MAS NÃO MAIS EXISTO,
Há outra margem, mas não há mais ponte
Sobre ancorar? 
Não há mais barco...
Onde parei então?
Em mim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Estou concorrendo com o poema Vi Vida ao II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo

Acesse:


http://www.correspondenciapoetica.com.br/festival/ii-festival-de-poesia/321-vi-vida.html



Veja o vídeo, curta e comente.


Conto com seu apoio



domingo, 9 de agosto de 2015

Tempos constantes



 Pensar
Que o mundo pode ser melhor
Deparando-se com batalhas tão ínfimas
Tão íntimas?

Melhor seria então ter escudos
Visão superficial
Por que me fizestes profundidades aqui
Se não quisestes que mergulhasse?

O mar está ali
Caminhe sobre ele
Se quer desbravá-lo

Não pense
Vai!

Eu fui, Eu Sou, Eu Mar...